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HERANÇA JUDAICA - SEFARAD EM PORTUGAL

Durante a fundação de Portugal, os judeus da Península Ibérica ajudaram a povoar o território conquistado aos mouros. Por esse motivo, eles se beneficiaram da proteção real e tiveram grande influência nas descobertas portuguesas.

Convidamo-lo a visitar os restos dos bairros antigos em que viviam, repletos de características arquitetônicas que dão pistas do estilo das casas judaicas.

LEGADO JUDAICO NA BEIRA INTERIOR

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Hoje em dia, a presença do povo judeu ainda é sentida em Portugal; não apenas nos muitos restos arquitetônicos, culturais, gastronômicos, mas na existência da única comunidade cripto-judaica que preservou a religião e os modos de vida, em Belmonte.

Uma visita a Trancoso, Guarda, Belmonte, Sabugal e Covilhã nos mostra o quão diverso o país era agora considerado homogêneo e como a identidade religiosa e cultural de um povo permaneceu protegida na intimidade da família, influenciando toda a região.

Embora o legado judaico esteja espalhado por todo o país, ele se concentra distintamente no destino da Serra da Estrela. Na lista abaixo, destacamos os locais das crinas onde a herança judaica está mais presente:

Covilha

A comunidade judaica da Covilhã foi do século XII até o início do século XX, a maior e mais importante da região da Serra da Estrela e uma das mais fortes de Portugal. A comunidade desta região estava envolvida principalmente no comércio e artesanato, mas também em atividades agrícolas, e era principalmente a força motriz por trás da indústria da lã.

Na cidade existiam, no final do século XV, pelo menos dois núcleos hebraicos. Um (o mais antigo) intramuralhas, junto às Portas do Sol; o segundo, na parte exterior das mesmas, confinando com elas próximo das portas da vila envolvendo a área que abarca a Rua do Ginásio e a Rua das Flores.

Esta última caracteriza-se pela existência de vias estreitas, sem ordenamento e com espaços públicos exíguos. Os imoveis são estreitos nas fachadas e em altos, ao sabor de gostos pessoais e com acrescentos apendiculares.

Apresentando na generalidade as fachadas com características arquitetónicas judaicas, como uma porta grande e uma porta pequena, janelas desenquadradas, portas chanfradas ou ombreiras.

Neste ultimo núcleo, atribuído tradicionalmente à comunidade judaica, salientam-se três habitações com janelas manuelinas, decoradas com motivos náuticos, duas na Rua das Flores e uma na Rua do Ginásio Clube.

Para além das áreas habitacionais ressaltam os estabelecimentos fabris, fundados por empresários cristãos novos salientando-se entre eles: Real Fabrica dos Panos, Fabrica Campos Melo e Fabrica Velha. 

COMO CHEGAR

Guarda

O antigo bairro judeu perto da antiga muralha da Guarda ainda existe. Já era conhecido no século XII, e cruzes podem ser vistas nos limiares das casas em muitas ruas.

Desde sempre localizado no interior da cidade muralhada, ainda hoje aí existe o antigo bairro judeu. Encontra-se muito perto da Porta d’El-Rei.
A comuna judaica da Guarda foi durante longos períodos uma das mais importantes do país e é considerada uma das mais antigas. Está comprovado que remonta ao século XIII com o aforamento, por parte de D. Dinis, de casas da freguesia de S. Vicente a famílias judaicas, tendo sido numa delas instalada a sinagoga.

Esta era a judiaria nova, prolongamento de uma mais antiga, a velha, mencionada no foral de 1199. Em fins do século XIV aí residiam cerca de 200 pessoas e, cerca de 50 anos depois, o número de habitantes de credo judaico já rondaria entre os 600 e os 850.

As famílias tinham nomes como Ergas, Castro, Falilho, Baruc, Mocatel, Marcos, Querido, Alva, Cáceres, Castelão, etc. As audições perante o Tribunal da Inquisição decorriam nas igrejas de S. Vicente e S. Pedro. A dinâmica comunidade judaica da Guarda oferecia toda uma série de serviços à população: alfaiates, sapateiros, curtidores, ferreiros, tecelões, gibiteiros, tosadores, físicos, cirurgiões, ourives, carpinteiros e esmaltadores, como o indicia a arquitectura das casas, com dois pisos – o térreo destinado ao comércio e o 1º piso à habitação, e a existência de duas portas, uma larga para o negócio, outra estreita para a família..

A judiaria tinha o seu início junto à Porta d’El-Rei e estendia-se até ao adro da igreja de S. Vicente, limitada pela muralha e pela Rua Direita que dava acesso àquela Porta. Em 1465 este acesso foi fechado devido aos protestos dos cristãos.

COMO CHEGAR

Belmonte

Belmonte era o principal centro da comunidade de judeus marranos (novos-cristãos) do país. Ao preservar secretamente seu culto religioso, sua fé e seus costumes, eles sobreviveram desde o edito de expulsão dos judeus em 1496 até os dias atuais.

Vila histórica do interior de Portugal, onde vive a única comunidade judaica que sobreviveu à conversão forçada de 1497, à Inquisição e atravessou meio milénio de perseguição e intolerância. Uma epígrafe comprova a existência de uma sinagoga já em 1297, porém a presença judaica nesta região será muito mais antiga.

Belmonte tornou-se num símbolo da resistência, da vontade de manter e de regressar às raízes religiosas e identitárias. Atualmente a Comunidade Judaica de Belmonte tem uma Sinagoga nova, inaugurada em 1996, e um cemitério próprio. A Sinagoga está orientada para Jerusalém e tem o nome de Beit Eliahu.

A comunidade de Belmonte, através da sua resistência, transformou-se num símbolo do regresso às raízes judaicas, sendo a vila visitada por muitos judeus e descendentes de judeus que procuram conhecer as suas origens, a sua identidade.

O Museu Judaico de Belmonte apresenta uma exposição centrada na vivência e na identidade da comunidade judaica da vila, com especial foco nas práticas quotidianas e religiosas.

O visitante tem, em Belmonte, acesso a vários serviços kasher, especialmente um hotel preparado para o Shabat, que também serve refeições segundos os critérios religiosos judaicos.

COMO CHEGAR
 

Trancoso

Trancoso ainda preserva as paredes e portas do castelo medieval. Muitos judeus vindos de Aragão e Castela estabeleceram-se aqui a partir do século XIV, e particularmente durante os séculos XV e XVI.

A comunidade judaica de Trancoso é anterior ao século XIV, quando o rei D. Pedro I (1320-1367) autoriza a organização da judiaria, por ser já muito grande. No século XV, o número de membros da comunidade seria já superior aos da cidade da Guarda, o que levou a que fosse pedida autorização a D. João II (1455-1495) para que a sinagoga fosse aumentada.

Para além dos equipamentos temáticos dedicados à herança judaica, a cidade tem um património que nos remete para um importante centro de cultura sefardita.

Destaca-se a Casa do Gato Preto, um edifício medieval que tem na sua fachada vários altos-relevos interpretados como judaicos, especialmente o Leão de Judá. Perto deste edifício, tradicionalmente indicado como a casa de um Rabi, encontra-se o Poço do Mestre, poço que poderia fornecer a água corrente para os banhos rituais femininos, o mikveh.

O Centro de Interpretação da Cultura Judaica Isaac Cardoso é um edifício moderno, que integra uma sinagoga. A exposição sobre a herança sefardita de Trancoso merece uma visita.

A Casa do Bandarra, junto ao Centro de Interpretação da Cultura Judaica Isaac Cardoso, dedica a sua exposição ao sapateiro, poeta-profeta Bandarra, figura ímpar da corrente messiânica portuguesa, claramente influenciada pela cultura judaica.

COMO CHEGAR

Sabugal

Sabugal tem um dos bairros judeus mais antigos de Portugal. Em algumas portas próximas ao castelo, existem inúmeras marcas de cruzes e outros símbolos e, em duas casas, foram encontrados dois altares judaicos.

O Sabugal sempre teve um papel muito importante na defesa da fronteira com o reino vizinho de Castela, agora Espanha. Em 1296 foi-lhe atribuído foral, documento dado pelo monarca e que organizava administrativamente a cidade.

Paralelamente a essa dimensão de separação dos reinos, o Sabugal também viveu a ligação que essa linha divisória permite. Comércio, fugas, casamentos e alianças familiares atravessam as fronteiras criando dinâmicas que as autoridades não conseguem gerir.

A comunidade judaica, desde tempos imemoriais na cidade, praticou essa relação construtiva com o reino vizinho, desenvolvendo o comércio, tornando a raia, a fronteira, uma zona de oportunidades e não uma linha de separação. É sobre essa identidade regional que se debruça a Casa da Memória Judaica da Raia Sabugalense.

COMO CHEGAR

 

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O consumidor pode recorrer a uma das entidades de Resolução Alternativa de Litígios de Consumo cujo nome, contactos e endereço dos sítios eletrónicos na Internet consta da lista de entidades depositada junto da Direcção do Consumidor. Para mais informações consultar Portal do Consumidor: www.consumidor.pt.
(Lei n.º 144/2015: obrigação de informar os clientes da existência de entidades de resolução alternativa de conflitos (RAL))